A disparada histórica dos preços
do cacau no mercado internacional obrigou empresas do setor de chocolate a
rever custos, portfólio e estratégias comerciais. Nesse cenário, a Dengo
escolheu seguir por um caminho diferente: preservar a formulação de seus produtos
e reforçar a aposta em qualidade, rastreabilidade e relacionamento direto com
produtores brasileiros.
Segundo informações publicadas
pela EXAME em entrevista com a CEO da marca, Cintia Moreira, a empresa decidiu
não alterar receitas nem reduzir o teor de cacau de seus chocolates, mesmo
diante da forte pressão sobre a matéria-prima. A estratégia foi buscar ganhos
de eficiência interna, disciplina de gestão e sustentação de valor por meio do
posicionamento premium da marca.
A reportagem destaca que a Dengo
trabalha com cacau 100% brasileiro e mantém uma cadeia integrada,
comprando exclusivamente de pequenos e médios produtores da região de Ilhéus,
no sul da Bahia. Além disso, a empresa adota critérios de qualidade ligados à
fermentação, secagem natural, ausência de defeitos e sistemas agroflorestais,
como a cabruca.
Esse modelo, além de reduzir a
dependência do mercado externo, ajuda a construir diferenciação de produto em
um momento em que boa parte da indústria global ainda lida com os efeitos das
quebras de safra na África Ocidental e da elevada volatilidade da commodity. A
EXAME informa que, após o pico acima de US$ 10 mil por tonelada entre o
fim de 2024 e o início de 2025, os preços recuaram em 2026 para a faixa de US$
3 mil a US$ 4 mil por tonelada, embora o mercado continue exposto a riscos
climáticos e estruturais.
No caso brasileiro, o desafio vai
além do preço internacional. A ampliação da produtividade, o acesso a crédito e
a renovação de lavouras seguem como pontos centrais para fortalecer a oferta
nacional. Nesse contexto, modelos que valorizam origem, qualidade e remuneração
ao produtor ganham espaço como alternativa para agregar valor ao cacau
brasileiro.
Fonte: reportagem “A estratégia da Dengo para driblar
o cacau a US$ 10 mil por tonelada”, publicada por EXAME Agro, assinada
por César H. S. Rezende, em 4 de abril de 2026.
Texto produzido pelo Cacau Fino com base em reportagem
publicada pela EXAME Agro. Fonte original: César H. S. Rezende, EXAME, 4 de
abril de 2026.
05/04/2026
Cacau